quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Votos da Família Lima Ferreira

Feliz Natal e Próspero Ano Novo
Merry Christmas and Happy New Year!

“Manel Mangrado”

Seu nome científico, Egretta garzetta, creio que nas ilhas de barlavento de Cabo Verde, “lavadeiras”, no Fogo, mané pastorinho, mas, em Santiago, pelo menos nos meus dias – manel mangrado!

Falo dessa ave branca, de pernas altas e bico pontiagudo, que gosta de porções de água, ou de acompanhar certos animais, (vacas, cavalos), como se fosse dama de companhia ou guarda de toda hora!

Vínhamos há dias, ao aeroporto internacional da Praia, eu e a Ester, e no extremo sul da pista, contamos mais de -100-, dessas aves! Tivemos lembranças e comentamos….

Porque esse interesse súbito nessas aves, logo eu que pouco sei de ornitologia e quase ou nada percebo do mettier?! O facto, e que em criança, pelo menos na Praia, se dizia que essas aves anunciam chuva e paz! Não tenho apologia científica, e por isso, de forma simples vou especular: gostam elas de zonas com água (chuva) e a cor branca simboliza a paz! E pronto, eis a minha explicação!

Nesses dias do Natal e fim do ano, tenho orado e pedido a Deus, Paz, e chuvas de bênçãos, como presentes para Cabo Verde e Mundo!

Se essas “lavadeiras” vieram anunciar essas bênçãos (!), então, mais uma razão para serem protegidas, elas que já estavam quase em extinção.

Lembremos que Copenhaga não deu os resultados esperados e deixou o mundo desapontado! Manel mangrado, cumpre seu papel no equilíbrio ambiental! Muitas vezes mais do que nós, discursadores de primeira!

Fico feliz neste Natal, que os “ céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos.”

Então, que Deus nos abençoe em 2010!

- Pr. Adérito Silves Ferreira –

Maldição hereditária ou modelo repetitivo?

Sempre que chegamos ao Natal nos lembramos da família.

Uma grande parcela da igreja crista, na pos-modernidade, costuma afirmar que muitas situações, problemas e desajustes familiares são em função de maldição hereditária. Respeitamos a ideia, mas chamaria de modelo repetitivo.

Certamente que por causa do pecado de nossos primeiros ancestrais, herdamos a natureza pecaminosa, o pecado inato, razão pela qual sofremos as consequências dessa circunstancia – separação, em estar na comunhão com o Pai eterno, conhecimento de bem e do mal, sofrimentos, dores, limitação do tempo de vida, tendência para o mal e muito mais inerentes ao ser humano decaído.

Mas, temos o livre arbítrio em nossas escolhas. Nossa mente guarda sempre modelos que vemos.

Na Bíblia encontramos vários exemplos disso, entre eles, o de Samuel, homem de Deus, que não foi um bom pai; sendo criado por Eli, que também não tinha sido um bom pai, repetiu este exemplo. Ninguém pode dar aquilo que não tem.

Ao contrário, encontramos a família de Zebedeu e Isabel, os quais foram agraciados de serem pais de João Batista, modelo de espera e confiança no Senhor.

Neste período de Natal nos lembramos da família de José e Maria, que tinham um profundo desejo em servir ao Senhor, a ponto de serem visitados pelo anjo Gabriel, anunciando que ela seria escolhida para conceber, através do Espírito Santo, o Messias prometido.

Quando nos encontramos com Jesus nosso dever e entregar-se a Ele, Nosso Salvador e Senhor. Nossa historia de vida e mudada cada dia; nossa família passa por uma grande transformação, alcançamos a graça vitoriosa de vencer todas nossas limitações humanas. A partir dai, construímos um modelo baseado no perdão, no amor, na reconciliação e na visão de um tempo melhor.

Oremos para que sejamos, cada dia, transformados pelo Espírito Santo, aperfeiçoando nossa caminhada. Mas a vereda dos justos e como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais ate ser dia perfeito (Pv. 4:18).

Oremos para que o nosso modelo de vida esteja sintonizado com o Senhor Jesus. Tomai sobre vos o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração. (Mt. 11:29)

Oremos para que, neste Natal, possamos inspirar as gerações futuras a amar ao Senhor de toda alma e de todo entendimento.

Que haja um modelo repetitivo de famílias abençoadas no Senhor!

Feliz Natal!

Deus abençoe cada família!

- Pr. Anips Spina –

A Singularidade de Jesus

“- Quem tem o Filho em a vida; que não tem o Filho de Deus não tem a vida. I Jo. 5:2-“

A vinda de Jesus ao mundo provocou mudanças tão radicais que a própria cronologia histórica foi mudada. O antes e o depois ficam estabelecidos. Quando o Eterno interfere na linha do tempo, encarnando, há um divisor de águas na história do mundo: antes de Cristo, e depois de Cristo.

Anjos anunciaram a Sua vinda cantando uma canção sem partitura, impossível de ser repetida por qualquer terrestre. A natureza se manifestou através de uma estrela que, servindo de bússola, indicou aos homens onde Deus começava Sua morada na Terra.

Sua concepção quebrou a lógica da Biologia tendo em vista que Maria não havia coabitado com homem algum – sendo, pois, Jesus, fruto do milagre de Deus, gerado pelo Espírito Santo. E o milagre se renova cada vez que o Filho de Deus nasce no coração de uma pessoa, recebendo esta a vida eterna que Deus enviou ate nos: Aquele que tem o Filho tem a vida (I Jo. 5:2)

Sua humildade se caracteriza desde o primeiro dia entre nos, nascendo numa estrebaria, sendo Ele o Criador do Universo, Senhor dos Céus e da Terra. Fazendo certo desde o começo – como modelo de servo – Cristo nos da o exemplo singular de que a Sua missão era “servir”, obedecendo as ordens do Pai.

Jesus nasceu, viveu e morreu como nenhum outro homem jamais poderia ter nascido, vivido ou morrido; pois, alem disto, ressuscitou dentre os mortos. Viveu sem pecado. Seu carácter era Sua força. Sua comunhão com Deus, sua arma maior.

Ninguém jamais falou como este homem, disseram os soldados; Ele fala como quem tem autoridade, dizia a multidão.

Natal. Jesus Nasceu. Ainda há esperança para o mundo. Que Deus nos abençoe nessa semana festiva e nesse final de ano.

- Dr. L. Aguiar Valvassoura –

NATAL SEMPRE!

Sou daqueles que sempre gostou e gosta do Natal! Tenho as minhas preferências nesta época, mas, o EMANUEL ocupa o lugar cimeiro!

Desde Outubro iniciamos as celebrações e se prolongam até meados de Janeiro 2010!

É claro, que Natal é todo o Ano! Afinal, é família, solidariedade, alegria, paz, amor, reconciliação, perdão, oferta – Deus-Homem nos visitando para salvar!

Em casa há alegria. Edlyze veio de férias, Eliane connosco, Ester recuperou a disposição, e Adérito sempre motivado no serviço do Rei dos Reis! Temos tido figos, broas, frango, salgadinhos e sumos! Familiares e amigos nos tem visitado! Cartões de todo o mundo!

A igreja caminha bem! Estabelecemos que o Natal 2009 seria Evangelistico! Três cantatas: crianças, jovens e orfeão. Dedicações, baptismos, casamento, visitas ao HAN, a cadeia civil, com celebração e novos baptismos, -1.100 contos (cerca de $15.000) em ofertas para evangelismo nacional, tempos especiais em Lém-Ferreira, Achada Grande Trás, Achada Mato, Achada S. Filipe e S. Martinho Pequeno… participação activa no encontro das igrejas de Santiago, iniciativa da direcção distrital de evangelismo.

Recebemos vários dos nossos estudantes no estrangeiro e contactamos via e-mail os que não conseguiram chegar. Que bênção!

Chegamos a New Bedford e completamos -300- anos (!) de celebrações de Bodas de Ouro, com D. Zizi e Sr. Ângelo, filhos, familiares e amigos.

Aguardamos serenamente os próximos dias até a passagem de ano, na certeza de que Quem esteve connosco, prometeu que será até a consumação dos séculos!

Quero ser grato a Deus por tudo. Gratidão a minha família, na Praia, ilhas e diáspora. Aos que me ajudam a toda hora no cumprimento do ministério, sem exigir contrapartidas. A todos que oraram por nos. Aqueles que me deram motivos para tornar mais prudente ou simples na Obra! Enfim, sou grato a todos, pois sem cada um de vós, seria muito mais difícil.

Natal Sempre, é meu desejo para hoje, amanhã e até que ELE venha!

Feliz Natal e Prospero 2010.

Em Cristo,

- Pr. Adérito Silves Ferreira -

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

49 Anos de idade



Tive de rever os dados do nosso Blog! 48 Anos de idade é passado!
A razão é simples. Nasci a 29 de Setembro de 1960, e por isso completei há dias 49 anos de idade! Estou contente pela forma como Deus que me tem abençoado, guardado e orientado. Minha família esteve comigo, a começar pelos de casa, e a igreja da Praia, a outra grande família também. Meus amigos das ilhas e mundo presentes!
Interessante é que o meu 49º aniversário foi ocasião para me dar a conhecer mais uma faceta do meu amigão Dr. Geraldo Nunes Filho – a de POETA!
A - Admirável por sua visão transformacioal
D = Determinado a fazer diferença
E = Excelente em fazer amigos de verdade
R = Rigoroso com a possibilidade do homem viver santamente.
I - Interessado na divulgação do Reino de Deus
T - Totalmente amante da família que tem
O - Ostensivo no que se refere a tornar os outros superiores a ele mesmo.
Feliz aniversário meu amigo,

PG

PS: Obrigado pelo Acróstico, que Deus o abençoe e à sua estimada família.

A D É R I T O

Até ao Navio…


É do livro de Actos, escrito pelo Dr. Lucas a afirmação do título acima, (Actos 20:38) para assinalar um momento particularmente difícil de despedida, do grande apóstolo.

Ti Roy, como carinhosamente os sanvicentinos e nós os outros tratávamos o missionário Henck, usava sempre a frase quando deixava no cais em Mindelo os seminaristas que tomaram conta por algum tempo da Igreja em Porto Novo, na altura sem pastor residente.

Chegara o momento de sermos nós e pela última vez em relação ao Ti Roy usar a expressão! Rev. Delgado nos deu a noticia: “Irmão Roy foi para Casa, há 30 minutos atrás”! Avisei à Ester aluna dele nos idos anos de 80 e chamei o Superintendente de seguida. Poucos minutos depois e via telemóvel o Rex de Oklaoma reconfirma a noticia: “Sr. Adérito, nosso pai já não está conosco”! Animei-o e pedí-lhe que transmitisse ao Kim, Kevin e Steven, nossa solidariedade e amizade.

Seguimos viagem acompanhando o Sr. Superintendente até Bóston, Filadélfia e Acron Canton (OHIO), para o último ADEUS ao grande missionário, mestre e pastor das ilhas.

Creio sinceramente, que Cabo Verde mais uma vez marcou sua posição de destaque, dando honra a quem honra merece!

Dr. Jorge de Barros e D. Manuela, Rev. Paul Stroud e D. Nettie, Rev. Phillipe Troutman e D. Paula chegaram para a hora sentida. Ouvimos elogios de todos. Revs. Araújo e Delgado apresentaram comunicações estruturadas e oportunas. Nós, em poucas palavras dissemos à igreja reunida do impacto que a passagem do Rev. Henck teve e terá nas ilhas e no mundo, através de várias gerações de obreiros bem treinados. Dr. Barros foi o pregador usado por Deus, para confortar nossos corações e apontar-nos a realidade da Casa do Pai!

Seguimos longa viagem até Virgínia, passando pela casa onde D. Glória viveu sua adolescência e parte da Juventude e finalmente, de novo no Locust Hill Cemetary.
Rev. Stroud muito emocionado dirigiu as últimas palavras e Dr. Troutman dirigiu-nos o hino: “Oh, graça excelsa”… Chorámos, pois a hora do Navio estava a aproximar-se…

Agradecemos nessa hora aos filhos do Casal Henck tanto respeito e amor por Cabo Verde. Ouvimos relatos impressionantes de experiências e bênçãos dos pais nas ilhas e de como diariamente oravam por nós! Sr. Roy orou por nós durante a 56ª Assembleia!

Percebemos uma forte ligação dos filhos e familiares a Cabo Verde e acreditamos sinceramente que os próximos tempos vão provar isso.

Todos os obreiros presentes fizeram questão de tocar o caixão de Ti Roy num gesto de gratidão. Olhos molhados, participamos de uma das mais difíceis marchas – Hora di Bai! Porém, voltamos comprometidos a honrar o investimento e legado deixado.

Cumprimos mais um dever e fomos fiéis ao que aprendemos: ATÉ AO NAVIO! Assim foi, Nhô Roy!

Regressamos cantando um dos últimos hinos que Rev. Henck nos ensinou: (LA 207)

Quando o meu tempo de luta passar
Quando meu Deus para Si me chamar
Grato, perante Jesus hei-de estar
Glória perene será para mim!

Sim, há-de ser glória p´ra mim
Glória p´ra mim! Glória p´ra mim
Quando SEU rosto puder contemplar,
Oh! há-de ser grande glória p´ra mim!

Ti Roy! You will never be forgotten!

-Pr. Adérito Silves Ferreira -

A Igreja



“Edificarei a minha igreja”, não foi a declaração de um político em determinada competição eleitoral, nem dessas promessas pretensiosas e falsamente adornadas de altruísmo social que, traiçoeiramente, conquistam a simpatia das massas. Foi declaração despida de egoísmo, simples, profética, emanada do coração puro e proferida pelos lábios do único detentor do direito de o fazer: Cristo.

A comunidade cristã primitiva escolheu o termo “igreja” que significava “proclamar”, “convocar” e que designava na linguagem profana “assembleia”, de preferência a qualquer outro termo. Este é igualmente o uso mais frequente dos autores do Novo Testamento (Lucas 23 vezes, Paulo 63 vezes) para “comunidade cristã” cultualmente reunida ou não, quer no âmbito doméstico, local, regional ou universal.

A igreja é exageradamente vista como puro agregado humano, fruto de decisões e actividades dos homens. Se é certo que descuidada ênfase ao carácter divino, além de lhe adulterar a realidade, desvirtua o mistério que encerra, não é menos correcto e justo que se combatam ideias à parte humana da sua natureza. É um facto histórico, visível que transcende o tempo e os homens que nele intervêm.

Como disse alguém: “afetada, por vezes profundamente, pelos acontecimentos que vão tecendo a história, abalada e marcada por eles, nunca porém, sucumbirá”. E por quê?

É importante que saibamos o que é a Igreja, mas precisamos saber o que somos nela e porque pertencemos a ela, para a podermos amar e defender.

Em cada momento da história o que a igreja é depende, em grande parte, das decisões dos homens que a compõe. O que a igreja e Cristo são para o fiel foi acertadamente resumido por um pregador: “ quem exalta a Igreja, exalta a Cristo”. Concorda? Que é a Igreja para você?

- Dr. Eugénio R. Duarte –
Superintendente Geral

A vontade de Deus


“Não ameis o mundo, nem as coisas que no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas, procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente”.
Normalmente ouvimos declarações como estas: “Tenho personalidade. Não me deixo influenciar. Faço sempre o que decidi fazer e não o que os outros desejam que eu faça”. O homem quer ser senhor da sua vontade. Isso é natural. Mas até que ponto é verdade? Até onde exerce a sua vontade própria?
Vivemos diariamente sob tremenda dose de propaganda. Na rua, na escola, no trabalho, a sociedade vive sob pressão e, muitas vezes, não faz o que gostaria de fazer, mas apenas o que o marketing da vida e as influências anónimas querem que seja feito. SE nos submetermos todos a um auto-exame ficaremos convencidos disso. Mas a Bíblia lança um desafio: “Aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente”.
Qual é a vontade de Deus? Talvez você pergunte. É Paulo quem responde: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm.!2:1-2)
A vontade de Deus consiste em não nos conformarmos com as coisas que acontecem diariamente neste mundo. Não podemos pactuar com o mal, esteja ele disfarçado nas melhores fantasias possíveis. Porém, isso só ocorrerá se permitirmos uma mudança na nossa mente, da parte de Deus, pois é por ela que a vontade do Senhor é opera. E quando tal acontece, o nosso comportamento melhora e a nossa vontade se alinha à de Deus.
Não esqueçamos que Ele conhece o princípio e o fim de todas as coisas. Conhece todas as fórmulas e até quantos fios de cabelo temos em nossa cabeça. Permita que Ele seja soberano em sua vida e, consequentemente, na sua vontade.

Feliz a pessoa que em Deus põe a sua confiança!

- Rev. Fernando de Sá Nogueira –

Superstições e Crendices


É o medo do desconhecido aliado à insegurança da vida que geram nos homens crenças supersticiosas.
As superstições têm origem no início da civilização humana e com ela deverão morrer. Fazem parte da própria essência intelectual humana e não há momento na história do mundo em que elas não estejam presentes. Fazem parte de muitos actos da vida do homem, seja do mais rude ao mais instruído, o cientista, o escritor, o artista.
São sempre de carácter defensivo, respeitada para evitar um mal ou algo não desejado.
Os amuletos, transformados em adornos e jóias são sinais exteriores das superstições. São objectos de defesa, ao qual se atribui a virtude de afastar malefícios e trazer boa sorte, como figa, um ramo de arruda, olho, búzio, trevo. O talismã tem a mesma finalidade do amuleto, mas é feito especialmente para determinada pessoa, e só a ela irá defender.
Para a “defesa”, pessoal ou da residência, existem os banhos com ervas e rituais que “limpam” o ambiente.
Superstição é também acreditar na existência real dos mitos folclóricos, como o saci, a mula-sem cabeça, o lobisomem, bruxas e em feitiços jogados, mau olhado ou olho gordo.
Há crendices que não implicam em medo ou defesa de algum mal, como por exemplo: as sortes tiradas nas festas do ciclo junino, a ingestão de certos alimentos na ceia de Ano Novo, a criança a jogar o dente de leite no telhado para obter dentes fortes.
As superstições ligadas à gravidez e ao parto são muito antigas e têm uma grande importância na vida dos povos. Os filipinos acreditam num espírito maligno que perturba o parto, tornando-o penoso. Os húngaros costumavam atirar por sobre a cabeça da parturiente para afastar os maus espíritos. Em algumas tribos africanas havia a crença que a mulher grávida não devia acompanhar enterro porque a alma do morto poderia encarnar o bebé. Entre os índios da Amazónia, as mulheres, principalmente quando estão grávidas, não devem assistir ao preparo curare (veneno), não podem pegar na caça e nas armas. Não podem comer paca, pois de contrário não conseguiriam dormir.
Há uma quantidade enorme de superstições conhecidas, passadas de pai para filho e presentes no cotidiano de muitas pessoas:
- uma tesoura não deve ficar aberta por muito tempo. Dá azar; - o gafanhoto verde da sorte. A sua aparição é sinal de esperança; - ao acompanhar um enterro não se deve entrar no cemitério antes do caixão; - pisar em rabo de gato atrai malefícios; - não se deve passar debaixo de escadas ou quebrar espelho. Dá azar; - chinelos emborcados atraem desgraças; - colocar a vassoura atrás da porta expulsa visitantes da casa; - criança que ao nascer traz a mão fechada será sovina quando crescer; - criança que brinca com fogo à noite faz xixi na cama; - quando uma criança sonha que está caindo num poço é sinal de que está crescendo; - coceira na palma da mão não é boa coisa; - deixar mala aberta é de mau agouro, pois se assemelha a um caixão mortuário;
Há também aquelas pessoas supersticiosas que usam o mesmo tipo de roupa, por exemplo, quando o seu time de futebol vai fazer uma partida importante, para não dar azar. Isso é muito comum na época da Copa do Mundo de Futebol, tanto entre torcedores quanto entre os jogadores.
O homem se esquece de algo extremamente importante, de que todas estas crendices e superstições poderiam se encerrar na pessoa bendita de nosso Senhor Jesus Cristo, pois Ele é, sem sombra de dúvidas, o nosso Guia e Protector.
Embora sejam milenares estas crendices, a humanidade poderia estar vivendo muito melhor se tivesses deixado ser ensinados e cuidados pelo Criador e não pela criatura, muitos sofrem e carregam um fardo tão pesado por terem que cumprir rituais – verdadeiros escravos das superstições e crendices.
A palavra de Deus nos ensina que devemos depositar em Jesus Cristo todo peso toda dificuldade todo medo, toda ansiedade pois Ele cuida de nós (I Pedro 5:7). E ainda no Salmo 37:5 o Senhor diz: Entrega o teu caminho ao Senhor confia nele, e o mais Ele tudo fará.
Se você tem vivido influenciado pelas superstições e crendices eu quero te desafiar hoje a um novo estilo de vida Jesus!
LEIA A BIBLIA.
Deus te abençoe.

- Sandra Nogueira –
Presidente Distrital de Missões
Distrito – São Paulo



terça-feira, 11 de agosto de 2009

A outra Assembleia…



Dentro de algumas semanas vos daremos a todos, irmãs e irmãos, das ilhas e do mundo, as boas vindas à Praia – chamada Capital de Gentileza!

Trata-se da ocasião do encontro para 56ª Assembleia do nosso distrito, precedida do Acampamento e alguns Workshops.

Todas as condições possíveis estão sendo criadas. Meses seguidos de orações, melhorias no templo, ensaios e horas a fio de acertar pormenores, sonhando com um tempo marcante e admirável para cada um!

A equipa pastoral, a Junta da Igreja, as sete comissões constituídas e os irmãos esperam a todos com alegria, acreditando num espírito de cooperação, compreensão e compromisso.

O Lema da 56ª Assembleia: “Fazendo Discípulos Semelhantes a Cristo em Cabo Verde” é sugestivo e desafiador. Então, nenhuma atitude aquém do alvo deveria ter lugar, não venha beliscar o sucesso do Evento!

Praia tem procurado fazer bem em todas as circunstâncias e lugares. Creiam-nos que com ajuda de Deus, assim será em Agosto próximo.

Tenham boa viagem e aqui vos aguardaremos para as boas vindas. Ebenezer!

“YES, WE CAN”!

- Pr. Adérito Silves Ferreira -

Temos dado bom fruto


Santiago teve uma BEST (Brigada de Evangelização de S. Tiago), com base na cidade da Praia, sob a sábia liderança do Rev. Ernest Arthur David Eades.

Várias gerações participaram nesse trabalho de desbravar o “campo” santiaguense, fazendo uma boa sementeira, hoje com frutos, viajando a bordo do saudoso LandRover, CVS – 936!

É de justiça uma palavra de gratidão à visão e coragem do Rev. Eades e seus colaboradores, e á base de operação – a Igreja da Praia.

Sem pretensão de alguma índole a não ser glória de Deus e desafiar nosso povo nestes dias, ou ainda lembrar aos mais jovens de idade e na fé, que a Igreja da Praia ao longo desses seus quase 70 anos de caminhada, ajudou a “plantar” as igrejas de ASA, A. Fazenda, Pedra Badejo, Calheta, Tarrafal, ST., S. Domingos, Várzea, Lém Ferreira…

No cumprimento da Grande Comissão e dos ensinamentos e práticas do livro dos Actos, a igreja precisa fazer muito mais. Estamos aquém do alvo!

No último retiro pastoral inventariamos na grande Praia, 48 novos possíveis pontos de pregação e futuras congregações. Nós, enquanto uma das igrejas da cintura urbana da capital, assumimos nove igrejas organizadas até 2010/11!

Estamos motivados em ver Achada S. Filipe, S. Martinho Pequeno, Achada Grande Trás e Achada Mato fazendo parte, ainda antes do término de 2009, da visão assumida de uma Igreja Multicongregacional (Manual 100…)

Tenho estado a orar/jejuar e pensar, se não seria outra vez a hora de termos uma nova BEST, preparada para o século XXI, com novas ferramentas, visão, novos obreiros, mas, agora a cobrir geograficamente desde Porto Mosquito a Tarrafal de Santiago!

Meu colega e irmão, separe um tempinho e pense com carinho neste caso, pois o tempo urge e há contas a prestar!

Da minha parte e da igreja da Praia há total disponibilidade. Mãos à Obra!

- Pr. Adérito Silves Ferreira -

Assembleia Geral


Assembleia Geral é trabalho, lembrou alguém com responsabilidades de fazê-lo!

Estava por perto e acrescentei: sim, mas, também de comunhão, aprendizagem, desafios e por que não passeio. Todos estávamos de acordo!

Todos precisamos um tempo de descanso/férias e recobrar energias, para uma nova largada.

Custa às vezes assumir a realidade de nossas limitações físicas e consequentemente um tempo de retiro pessoal e familiar!

O Senhor nos tem dado um dia para “descanso”, e Jesus algumas vezes mostrou-nos a pertinência do assunto.

O ano sabático assumido e encorajado no Manual, indica a posição clara da nossa Igreja. Alguém concluiu: “ não somos de ferro”!

A fotografia que ilustra este curto e simples comentário, diz tudo. Não é mesmo?!

- Pr. Adérito Silves Ferreira -

Kurason ki kre Txeu!


Kurason ki kré txeu, ta faze tudu dia
Um mundu más bunitu y e ta xinti tudu dia
Ligria ki tem na kumpri mandamentu di Deus:
“Nhos ama kunpanheru”.

Kurason ki kre txeu, sta prontu tudu dia
Pa faze algen filiz, ku un bom dia kontenti
Ku un rostu alegri, un animu sinseru.

Kurason ki kre txeu, sta prontu pa djuda ku un jestu di amigu;
E ta da pon pa kenha ki tem fomi; agua pa mata sedi
Ropa pa gasadja korpu ki meste di gasadju.

Kurason ki kre txeu, ta da suguransa ku filisidade
Ta da konsedju di amigu, ta apoia na mau ora
Ku komprienson y un abrasu di paz.

Kurason ki kre txeu, é ka kaminhu di kabra,
Ma é un caminhu ki sta senpri abertu e prontu pa djuda ;
Pa limpa lágua, di kenha ki sta frontadu, di kenha ki sta ku medu,
Di kenha ki sta kansadu, di kenha ki sta disanimadu pa infrenta mas un dia.

Kurason ki kre txeu, ta da un monsada firmi na ora ki mestedu,
Pa djuda, pa raparti e pa uni sem medu y ku koraji.

Ama senpri, ku amor ki ta bem di fonti ki ka ta kaba
Di amor perfetu, di amor kompletu,
Ku amor ki ta bem di Deus.

(Autora conhecida)

Recordando…



Não se trata do texto da 3ª classe dos meus dias de escola primária, nos idos anos de 67, do século passado, em Vila Nova, Santiago – Cabo Verde.

Nesse texto, dois jovens se encontram depois de vários anos de separação durante uma inspecção militar, com lembranças interessantes da sua infância, em Angola.

Encontrei-me com Sr. Ron e D. Dóris nos corredores da Assembleia Geral. Ele Eng. Hidráulico de formação e ela artista manual de 1ª classe. Mas, irmãos de alto nível, comprometidos com a Causa e Missões!

Faço esta observação porque este Casal, de entre muitos outros, deu uma extraordinária contribuição na construção do Memorial Rev. Xavier Ferreira, em Tarrafal – Santiago, onde nossos colegas Silas e Cleonice são pastores, servindo ao povo da Vila mais a Norte da ilha gigante.

Dei-lhes notícias “frescas” da terra, mas, sobretudo de como Deus está operando, salvando e santificando vidas – enfim, a edificar Sua Igreja! Dóris, não conteve as lágrimas enquanto Ron me apertava emocionado a mão direita.

Tinha dois minutos para chegar à sala 330 A, onde discutíamos resoluções importantes para vida da nossa igreja. Dóris tomou segundos para mandar saudações à Ester e irmãos do Tarrafal.

Foi sem dúvida um bom momento de Recordação e de muita gratidão!

- Pr. Adérito Silves Ferreira -

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Um ano de Assembleias




O mundo Nazareno se reunirá em Orlando - Florida, dentro de dias, para a sua reunião magna. Espera-se mais de centena e meia de países representados, de todos os continentes e milhares de irmãos!
Das ilhas maravilhosas do atlântico, seguirá uma delegação de africanos e da Região de Africa, sob a liderança de dois cabo-verdianos! Um deles é superintendente e outro é Director Regional. Esses dois simples pormenores me dizem que crescemos ao longo dessas décadas, nos tornamos maduros e vamos assumindo aqui e ali responsabilidades cada vez maiores na igreja e no Seu Reino!
Acordei esta manhã com consciência clara de que nossa margem de crescimento ainda é grande! Por isso, ninguém surpreenda com “as coisas maiores que estão por vir”!
Acredito numa boa representação e um tempo admirável de comunhão. Antevejo o regresso de contar bênçãos e testemunhar de Jesus Cristo!
Em Agosto próximo, Praia receberá outra Assembleia, mas, desta vez a Distrital! Será com certeza outro grande momento de compartilhar as bênçãos, recobrar forças, rever a comunhão e voltar às ilhas para cumprir a Grande Comissão!
A previsão é para duas centenas e meia entre delegados e visitantes, das ilhas e do mundo. Sentimos encorajados por esta mobilização e encontro do Seu povo.
Estes dois eventos importantes da nossa igreja, neste e naquele lado do planeta exigem de nós muita oração, trabalho, compreensão e espírito adaptável!
Ocorreu-me que foi em Outubro de 1885 que cerca de cem pessoas lideradas pelos Doutores Bresee e Widney (aquele em divindade e este em medicina) e suas famílias organizaram a Igreja do Nazareno! Sim, esta da qual fizemos parte! Somos Família!
Amados, possamos juntos ter a lembrança que somos, Uma Igreja de Santidade, Missionária e Evangélica! E o Deus de paz será nossa porção! Amem!

Vosso em Cristo,
Pr. Adérito Silves Ferreira

CERIMÓNIA DE ORDENAÇÃO

Nossos irmãos Évora Ferreira receberam a benção do presbitério. Todos somos partes desta vitória e por isso estamos felizes! Parabens Rev. Delfino Silves Ferreira e Dra. Sandra Évora Ferreira. Ebenezer!

O Latoeiro de Éfeso


O homem tinha tesouras, talhadeiras e serras que cortavam metal. Possuía também uma língua fiada que lanceava o coração do apóstolo Paulo (II Tim. 4:14).
Frustram-se esforços para identificar este artífice, pois achamos no Novo Testamento cinco referências a Alexandre. Alguns opinam que se trata de apensas duas, não mais de três pessoas, em várias situações distintas; o latoeiro como teólogo amador, o latoeiro como pregador leigo, o latoeiro como agitador duma congregação, bem como um outro Alexandre de perfil simpático, pois carregou a cruz do Nosso Senhor (Marcos 15:51).
Podemos argumentar: de que nos serve remover a poeira da história para encontrar ossadas dum dissidente, se ainda temos alguns entre nós? Por mais incómodo que o assunto seja para os que prefeririam usar o tempo na busca de novas alturas espirituais, o Latoeiro de Éfeso ainda martela o tema de conflitos na Igreja. Alexandre legou-nos, apesar de tudo, alguns ensejos construtivos: forçou-nos a encarar a realidade desse conflito, a nossa posição nele, a inventariar danos e a ponderar o tratamento a dar-se a agitadores, críticos e dissidentes militantes.
Neste caso, Paulo optou por marcá-los e isolá-los. Advertiu a Timóteo”Tu guarda-te dele” (II Tim. 4:15). Preferiu, também, sujeitá-los à justiça divina: “… o Senhor lhe pague segundo as suas obras”. Mas este comportamento do Apóstolo não é consistente ao longo do seu ministério. Encontramo-lo também em confrontação explosiva: “Ó filhos do Diabo, cheio de todo o engano e de toda malícia, inimigo de toda justiça, não cessarás de perturbar os rectos caminhos do Senhor?” Aqui, foi o próprio Paulo a pronunciar o castigo: “Ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo” (Actos 13:10 e 11).
Hoje a coisa dava processo por difamação, injúrias e danos. Litígios em tribunais à volta do mundo, envolvendo igrejas, atestam que a liberdade de confrontar agitadores se acha rigorosamente condicionada a direitos e privilégios legais de cada pessoa. E a febre da “democratização” conferiu a qualquer direitos de proclamar todo tipo de aberrações e emplastrar paredes com gritos de preferência pessoal e críticas a outrem.
Profetas, apóstolos e reformadores acharam-se amiúde encarcerados. Este método de argumentar assumido pelo temporalmente mais forte é ainda seguido por governos e partidos incomodados por mensageiros da Igreja. Revela, também, a fibra dos acusados: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Actos 5:9). Lutero havia de ecoar a mesma determinação: “Aqui estou. Ajude-me o Senhor. Não quero nem posso retractar-me”.
O comportamento de Paulo assemelha-se um tanto ao do Senhor Jesus ante Seus detractores. Ora evita a confrontação e prefere fugir, ora parece ignorar a isca à polémica, ora desarma os eus atacantes com uma lógica impenetrável, ora brande o chicote e pontapeia mesas de oportunistas que fazem da Sua casa “covil de ladrões” (Marcos 11:15-17).
Temos, então, escolhas?
Talvez tão variadas como as circunstâncias. Há a considerar-se se a afronta é pessoal ou dirigida à causa de Deus que o agitador vê personificada em alguém; se ela é do tipo que pode ser diluída com a resposta branda de Provérbios (15:1); ou se estamos lidando com ouvidos selados à voz da razão (Actos 7:57); se “dar tempo ao tempo” amaina o conflito ou, em vez disso, gangrena a ferida; se, na perspectiva da eternidade, valem alguma coisa os louros duma vindicação imediata, em contraste com a decisão ora tida humilhante e cobarde de oferecer “a outra face” ou “andar a segunda milha”.
Mesmo em circunstâncias em que parecerá legítimo e até forçoso reagir, temos de responder a uma pergunta ou outra germinada da consciência: “Haverá qualquer indício de verdade no argumento do conflituoso? Na precipitação de me defender, estarei camuflando ou minimizando falhas dignas de reparo?” E, se a ofensa é dirigida a Deus e à Sua Igreja, devo ainda ponderar: “Quem me nomeou defensor dos Deus? Precisa Ele da minha ajuda para se proteger de alguém...ou, como o discípulo de ontem, estarei brandindo espadas imperitas que só cortam orelhas e deixam a língua em disparada?”…(Mateus 26:51).
Alguns conflitos escalam ao ponto de crise porque ignoramos diferenças sócio-culturais, limitações e desgastes físicos, ou caímos na ratoeira de “espiritualizar” divergências de opinião e gosto. Presumimos que a celebrada união dos crentes deverá incluir uma universalidade de ideias e de escolhas, suprimindo qualquer defesa mais apaixonada de algo que preferimos. Todos temos ouvido de congregações desavindas por causa de traçado, do mobiliário ou da decoração dum novo templo, da versão bíblica usada do púlpito ou do estilo administrativo do pastor. “Grupinhos” então formados armam a sua causa, desenvolvem até uma teologia do conflito escudada na própria Bíblia. Ficamos a cismar que farão esses recitadores das Escrituras ao chegarem a Tiago 4:1 – “Donde vêem as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêem disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?” Esse motim interno tende a transbordar, agitando em muitos casos a congregação inteira.
A obra de tem sobrevivido a todos os seus atacantes. É que mesmo as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja do Senhor (Mateus 16:18). Se nos vemos impossibilitados, como Paulo, de neutralizar opositores militantes, fiquemos certos de nunca afiliar-nos a tais grupos. Por mais severos danos que nos causem, a si próprios infligem o maior. Paulo julgara-se vítima de prejuízos devastadores: “Causou-me muito dano”. Mas coisa estranha aconteceu. Em vez de fragmentar a vida do Apóstolo, a tesoura de Alexandre cortou para sempre a reputação do homem que a empunhava com tanta perícia. Paulo vive, íntegro, nos púlpitos do mundo. O Latoeiro de Éfeso? Se tivéssemos uma epístola de Timóteo a Paulo, escrita uns vinte anos após o doloroso incidente, ela talvez dissesse: “ A propósito, lembra-se do Latoeiro de Éfeso? Enferrujou.”

- Dr. Jorge de Barros –

De Irmão para Irmãos


Eu gosto de recordar factos históricos e coisas do passado. Fico emocionado quando releio a história de Moisés ainda bébézinho e, sua mãe na esperança de lhe salvar a vida, o coloca nas águas do Nilo dentro de um junco. A irmã, de longe, contemplava o cenário quando a princesa, filha de Faraó, chega para se banhar nas águas do rio. O episódio e a formosura do menino, comoveram a princesa e esta não resistiu em ser a mãe adoptiva do recém nascido. A irmã de Moisés oferecendo os seus préstimos, chamou a própria mãe para ser a “ama” do bebé o que a princesa aceitou sem nenhuma dificuldade, desconhecendo os laços familiares entre a mulher e o menino. Colocado no rio pela progenitora, ajudado pela irmã, adoptado pela princesa e criado pela própria mãe, com salário para fazê-lo, quando estava na eminência de ser morto, como as demais crianças hebreias do sexo masculino. Mistério de Deus!
Mais tarde, aquele que foi tirado das águas, veio a ser usado por Deus para ser o guia do Seu povo na saída do cativeiro egípcio. Tudo preparado, com detalhes emocionantes e orientação divina.
Neste processo de recordar o passado, veio-me à mente o Agusto di Idalina Surda. Menino do nosso bairro. Cresceu mais ou menos na nossa redondeza. Nunca o vi na escola. Nunca jogou futebol connosco. Falava pouco e parecia estranho, sempre desconfiado de mais alguém. A Idalina, parente não muito perto do pai do Agusto, era surda, e consequentemente tinha grandes dificuldades na expressão vocal. Talvez por isso Agusto não falava assim tão bem.
A mãe tinha muitos filhos e desta maneira os dividia para quem quisesse ser a mãe adoptiva. Coube a Agusto ser neto/filho adoptivo da Idalina.
Na faixa dos seus sete/oito anos, Agusto começou a demonstrar alguma tendência em “possuir” coisas que não lhe pertenciam. De vez em quando desaparecia nas casas dos vizinhos algumas moedas que as donas de casa guardavam debaixo das latas de açúcar e que Agusto sabia tão bem. Pouco a pouco, ele passou a ser conhecido por causa destes actos infantis mas condenáveis, e com o passar dos anos a sua postura continuou piorando.
Não aprendeu nenhuma “arte”, não aprendeu a ler, nem a escrever, e com a morte da Idalina, ele passou todo o tempo da sua vida na rua pedindo ou “tirando” do bolso alheio. Nunca mais soube onde ele fixou residência, com quem convive, nem se me reconhece, nós que crescemos no mesmo bairro.
Há dias, meu irmão me disse que está tendo um “probleminha” na igreja com o Agusto. Não falha aos cultos devocionais de domingo na Praia. Só que o prato das ofertas tem de ser colocado no lugar seguro e mesmo dentro da igreja, principalmente quando se canta os hinos espirituais e o ambiente é divino, Agusto mais não faz do que estender a mão para todos quantos cruzarem os olhos com ele, pedindo algum troco!
Soube há dias que ele é mais velho do que eu, dois ou três anos. Tendo crescido sem o amor paterno, nem materno; sem ninguém que o orientasse, como costumamos dizer lá em casa, “Agusto ka fazi nada na vida”.
Como ele deve haver muitos. E isto me leva a reflectir de como a minha vida e a dos meus irmãos podia ter sido se não tivéssemos o carinho, o amor a educação dos pais, e o companheirismo uns dos outros.
Nesta semana de gratidão a Deus, eu tenho de trazer à memória a nossa casa pobre mas honrada, a educação que nós todos recebemos, a mãe e o pai que nos incutiram valores sublimes, o incentivo de frequentar a igreja, a possibilidade de entrar em faculdades, de abrir a visão intelectual, o respeito pelos demais e concluir que por detrás de tudo isto Deus estava coordenando tudo.
Deus precisava de Moisés e por isso o poupou. Deus precisava de nós e por isso nos deu ambiente familiar maravilhoso e passados todos esses anos, os alicerces continuam firmes e creio que continuarão eternamente assim.
Ao longo desses anos, foram tantas as bênçãos que tentar descrevê-las seria como explicar como ser feliz!... e felicidade não se consegue explicar; quando é sentida, é transmitida. E é isto que queremos transmitir. Parafraseando o salmista “grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres e (gratos) (Salmos 126:3)
Delfino Andrade Silves Ferreira

terça-feira, 9 de junho de 2009

Um dia em S. Francisco


Alguns não entendem porque muitos de nós temos uma grande paixão por S. Francisco! A zona balnear, mais ou menos a norte da Praia, hoje, a dez minutos por auto-estrada, onde temos o nosso ACAMPAMENTO, um terreno que as marcas dizem claramente pertencerem na sua totalidade à JUNTA CONSULTIVA DA IGREJA DO NAZARENO DE CABO VERDE, antes, CGIN ou simplesmente e para que não haja dúvidas, Conselho Geral da Igreja do Nazareno.
Tive notícias por alguém que estivera na inauguração da nova estrada de como está S. Francisco! Sentado, ouvi atentamente meu “informante”, mas, não chorei!
Fizemos uma viagem à Neemias, mas de dia! Entramos pela porta principal, considerada antiga pelos mais jovens, e contornei o nosso chão em direcção ao poço, que nos seus dias áureos jorrava água com ajuda da potente moto-bomba Lister! Até hoje, não descobrimos perfeitamente porque aquela água tinha propriedade de cortar ao meio qualquer tipo de sabão, incluindo “o di terra”!!! Cheguei perto do “tanquinho”, que fica entre a casa Mosteler e a cozinha, e o campo ficou-me logo à frente. A casa do Presidente Distrital, a dos líderes e a de banho das meninas logo aí à minha mão direita. Sábu, Jussé e Nha Flipa passaram! Com olhos do passado vi tantas gerações de moças de todas as ilhas e da diáspora que ocuparam as moradias em fila. Da casa do guarda, do motor e das antigas casas de banho dos rapazes só restam pedras, esperando uma nova e bonita arrumação. A casa de S. Vicente está lá, firme, parecendo dizer às outras: “se não fizerem alguma coisa por este lugar vou-me embora”, aliás estou a caminho!
Parei, para ver a CAPELA mesmo no centro do Campo! Tantas lembranças de momentos inolvidáveis, testemunhos inflamados, louvor de nível, ministração do céu! No meio de tudo isso, a mesma voz que há quase trinta anos me falara, dando-me uma chamada clara para o ministério, segredou: “ela deve continuar, preciso de ti!
Como Neemias, recobrei as forças e falei ao “Sr. Superintendente Araújo” dizendo: Chefe, teremos em breve este lugar como uma referência! Nossa Capela continuará no centro para desafiar as forças do mal que teimosamente querem agir; uma praça com jardim florido falará de vida nova; um edifício multi-uso para refeitório, jogos, desfiles e grande cultos; as moças terão novas e bonitas casas com banho privativo; os rapazes terão seus alojamentos em dois pisos simples, com casas de banho e água à vontade; a liderança do campo, os obreiros e visitantes terão lugares condignos; a área destinada às tendas terá melhorias; vários jogos e lugares de diversão; faremos plantações com rega gota-gota; o piso não mais terá problemas com papa-lama; o poço será reabilitado e com ajuda de água dessalinizada suprirão as penúrias do passado; duas serão as entradas – uma que dará acesso à praia de mar e outra que será a principal, encimada com as inscrições: Acampamento Nazareno de Cabo Verde! De repente, parei, sem falar dos estacionamentos, dos bangalôs para aluguer, da moradia do gestor, entre outras coisas e notei que o Superintendente não estava por perto!
Sim, compreendi que são coisas que todos precisamos dizer ao nosso líder, com propósito de animá-lo a avançar com o plano de reestruturação do campo, de acordo com aquilo que Deus tem posto no seu coração!
Se saberá então, e outra vez, sem nenhum equívoco que “só o SENHOR é DEUS”, e as “portas do inferno não prevalecerão contra Sua igreja.” Se Deus é por nós quem será contra nós”!
Então, lhes respondi e disse: “ O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas, vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém”.
“Acabou-se a obra em cinquenta e dois dias… e ouvindo-o todos os nossos inimigos, temeram … porque reconheceram que nosso Deus fizera esta obra”. Hasta siempre S. Francisco!

- Pr. Adérito Silves Ferreira -

CRIANÇAS, UMA ESPÉCIE AMEAÇADA


Viajava num ônibus quando entraram três meninos passando por baixo da catraca. Faziam tanto reboliço que um senhor olhando para mim, disse: “Onde estará o pai desses meninos”?
Não respondi, mas, fiquei pensando no pai ou pais, pensei no meu e em tantos que conheci, agradeci a Deus pelo pai que tive e tardiamente valorizara; e quase chorei de saudades dum tempo que não voltaria mais. Lá estavam uns meninos desconhecidos fazendo-me lembrar dum pai bem conhecido, mas, agora tão longe!
Milhões dos que nascem mal conseguem atravessar com vida o limiar deste mundo, ficam ao desamparo, abandonados, desnutridos e votados ao pecado. Bem poucos são levados a Deus. Pensando em tais crianças fico a cismar se a cura do câncer ou quem sabe, de tantas doenças terríveis não ficou atrasada porque seu descobridor foi vetado à entrada. O aborto terá frustrado a descoberta que viria a curar milhares de sofredores. Li há anos numa revista acerca de um médico que assistia ao parto de certa mãe. Quando teve nas mãos o menino, que descobriu ser aleijado, sentiu tanta pena da mãe que pensou na ocasião em impedir que ele vivesse; mas algo o fez desistir. Mais tarde, uns vinte e tantos anos depois, o seu próprio filho viria a ser salvo pelo único médico disponível! O médico era o menino aleijado e que fora poupado.
Jesus tinha um grande apreço pelas crianças. Apresentando uma ilustrou como eram os verdadeiros cidadãos do céu.
Teve algumas nas mãos e abençoou-as, apesar da incompreensão dos discípulos. (Mateus 18:1-4; 19:13-15).
A Bíblia dá muita atenção às crianças e recomenda zelar por elas (Prov. 20:11) Diz que devem ser “instruídas e corrigidas” (Prov. 22:6; 19:18; 23:13).
É consenso geral que o exemplo dos pais é uma espada de dois gumes, pode guiar ou desnortear a vida da criança. Elas são observadoras e sensíveis.
Muitos pais querem ver nos filhos uma espécie de complementação; e outros, colher algo que não semearam. É comum dizer-se que a conduta vale mais que a palavra, mas realmente elas se completam. Os recavitas foram chamados por Jeremias para servirem de testemunhas à nação desobediente a Deus. Ele tinha guardado o exemplo e a recomendação do pai (Jer. 35:5-6). (…)
A Bíblia atribui aos pais obrigações sérias: instruir (Prov.4:1-4; Deut. 6:6-7) repreender (Prov. 3:12; 13:24); alimentar (Lucas 11,12); perdoar (Lucas 12:21); compadecer-se delas (Heb.3:9); não irritá-las (Efésios 6:4).
Depende dos pais se os filhos vão ou não honrá-los. Quando Davi foi a luta e venceu Golias, Saul perguntou: “ De quem é filho?” (I Sam. 17:56). Pais fiéis a Deus e envolvidos na Igreja têm menos trabalho na educação dos filhos. Tratar bem a esposa e os filhos, falar sempre a verdade e nunca prometer nada que não possa satisfazer, acompanha-los à Igreja, ensiná-los a serem honestos para com Deus são passos importantes. Quando João Baptista nasceu a pergunta que brotou dos lábios de todos foi: “ Quem será pois este menino?” ( Lucas 1:66). O nascimento de qualquer criança deveria ser precedida de muito oração e sincera disposição de fazer “ custe o que custar” que ele venha ser um filho de Deus. Certamente a igreja dará todo o apoio (…)
Há muitas crianças abandonadas por aí e o mundo está mais pobre por causa disso. Valorizemo-las!

- Eudo T. de Almeida -

De Irmão para Irmãos


Eu gosto de recordar factos históricos e coisas do passado. Fico emocionado quando releio a história de Moisés ainda bébézinho e, sua mãe na esperança de lhe salvar a vida, o coloca nas águas do Nilo dentro de um junco. A irmã, de longe, contemplava o cenário quando a princesa, filha de Faraó, chega para se banhar nas águas do rio. O episódio e a formosura do menino, comoveram a princesa e esta não resistiu em ser a mãe adoptiva do recém nascido. A irmã de Moisés oferecendo os seus préstimos, chamou a própria mãe para ser a “ama” do bebé o que a princesa aceitou sem nenhuma dificuldade, desconhecendo os laços familiares entre a mulher e o menino. Colocado no rio pela progenitora, ajudado pela irmã, adoptado pela princesa e criado pela própria mãe, com salário para fazê-lo, quando estava na eminência de ser morto, como as demais crianças hebreias do sexo masculino. Mistério de Deus!
Mais tarde, aquele que foi tirado das águas, veio a ser usado por Deus para ser o guia do Seu povo na saída do cativeiro egípcio. Tudo preparado, com detalhes emocionantes e orientação divina.

Neste processo de recordar o passado, veio-me à mente o Agusto di Idalina Surda. Menino do nosso bairro. Cresceu mais ou menos na nossa redondeza. Nunca o vi na escola. Nunca jogou futebol connosco. Falava pouco e parecia estranho, sempre desconfiado de mais alguém. A Idalina, parente não muito perto do pai do Agusto, era surda, e consequentemente tinha grandes dificuldades na expressão vocal. Talvez por isso Agusto não falava assim tão bem.
A mãe tinha muitos filhos e desta maneira os dividia para quem quisesse ser a mãe adoptiva. Coube a Agusto ser neto/filho adoptivo da Idalina.
Na faixa dos seus sete/oito anos, Agusto começou a demonstrar alguma tendência em “possuir” coisas que não lhe pertenciam. De vez em quando desaparecia nas casas dos vizinhos algumas moedas que as donas de casa guardavam debaixo das latas de açúcar e que Agusto sabia tão bem. Pouco a pouco, ele passou a ser conhecido por causa destes actos infantis mas condenáveis, e com o passar dos anos a sua postura continuou piorando.
Não aprendeu nenhuma “arte”, não aprendeu a ler, nem a escrever, e com a morte da Idalina, ele passou todo o tempo da sua vida na rua pedindo ou “tirando” do bolso alheio. Nunca mais soube onde ele fixou residência, com quem convive, nem se me reconhece, nós que crescemos no mesmo bairro.
Há dias, meu irmão me disse que está tendo um “probleminha” na igreja com o Agusto. Não falha aos cultos devocionais de domingo na Praia. Só que o prato das ofertas tem de ser colocado no lugar seguro e mesmo dentro da igreja, principalmente quando se canta os hinos espirituais e o ambiente é divino, Agusto mais não faz do que estender a mão para todos quantos cruzarem os olhos com ele, pedindo algum troco!
Soube há dias que ele é mais velho do que eu, dois ou três anos. Tendo crescido sem o amor paterno, nem materno; sem ninguém que o orientasse, como costumamos dizer lá em casa, “Agusto ka fazi nada na vida”.

Como ele deve haver muitos. E isto me leva a reflectir de como a minha vida e a dos meus irmãos podia ter sido se não tivéssemos o carinho, o amor a educação dos pais, e o companheirismo uns dos outros.
Nesta semana de gratidão a Deus, eu tenho de trazer à memória a nossa casa pobre mas honrada, a educação que nós todos recebemos, a mãe e o pai que nos incutiram valores sublimes, o incentivo de frequentar a igreja, a possibilidade de entrar em faculdades, de abrir a visão intelectual, o respeito pelos demais e concluir que por detrás de tudo isto Deus estava coordenando tudo.
Deus precisava de Moisés e por isso o poupou. Deus precisava de nós e por isso nos deu ambiente familiar maravilhoso e passados todos esses anos, os alicerces continuam firmes e creio que continuarão eternamente assim.
Ao longo desses anos, foram tantas as bênçãos que tentar descrevê-las seria como explicar como ser feliz!... e felicidade não se consegue explicar; quando é sentida, é transmitida. E é isto que queremos transmitir. Parafraseando o salmista “grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres e (gratos) (Salmos 126:3)

Delfino Andrade Silves Ferreira

quinta-feira, 28 de maio de 2009

MOINHO, EM PONTO GRANDE...

Com cuidado localiza tua "Vivenda",
nosso antigo "stadium" e alguns diversos...

De Irmão para Irmãos


Na Praia nos idos dos anos 80, quando alguém queria que uma notícia espalhasse, fosse boato ou verídica, não tinha muitas dificuldades. Era só chamar o Carlos Alberto (se a memória não me falha este é o seu verdadeiro nome) – mais conhecido por Funaná e dar-lhe uma pequena dica da notícia, que ele tomava conta do resto. Em pouco tempo, todo o mundo ficava sabendo de tudo e mais alguma coisa. Esta situação tornára-se tão comum que àquelas pessoas que tinham algum problema de controlo da língua eram cognominadas de Funaná e sempre que punham a boca no trombone, ouviam naquele crioulo fundo de Santiago: “Bu s’ta sima Funaná”.

Numa sociedade em que as notícias, principalmente as más, circulam à velocidade do som, parece que nada de especial concernente à proclamação das Boas Novas tem sido feita.
Já se passaram milhares de anos desde aquela manhã (ou tarde) em que Jesus comissionou os seus discípulos, quero crer, com a maior das incumbências de todos os tempos: “... ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado ...” (S. Mateus 28: 19-20)
Uma tradução feliz podia muito bem ser esta: vai, e fala às pessoas, não importa a quem, de tudo quanto de bom eu (Jesus) fiz na tua vida.
O sinal dos últimos dias são visíveis e contráriamente à divulgação das notícias más, a vinda de Cristo está sendo pouco enfatizada, como se estivesse muito longe de acontecer.
O tempo urge e portanto aproveitemos as oportunidades mesmo na adversidade, para falar de Cristo.
Alguém (não me lembro quem) disse outrora : “espero a vinda de Cristo a qualquer hora, mas não deixo de fazer as minhas obrigações.” Possivelmente muitos de nós se tivessemos de fazer um comentário a esta frase, haveríamos de dizer: “Tenho muitas obrigações a fazer pois a vinda de Jesus ainda está longe”.
Irmãos, como pessoas resgatadas pelo sangue precioso de Jesus, a nossa obrigação é pregar o evangelho, coisa que nos nossos dias, tem de ser feito com veemência, pois os dias são maus. Da mesma forma como fomos abrangidos, procuremos também influenciar a outros.
É possível que fazendo uma introspecção você diga que este é trabalho de pastores, missionários ou pessoas específicas. Eu quero dizer a todos os meus irmãos que com determinação séria e pessoal, mesmo sem muitos dons e talentos, todos nós conseguiremos pois a nossa capacidade vem de Deus.
Nunca me esqueço do testemunho daquele jovem quando cheio da presença do Espírito Santo, e sem palavras para expressar o prazer que sentia depois da mudança operada por Cristo na sua vida, resumiu tudo em poucas palavras: “Dês ki n’sêta Jisus, n’sta xinti frescu.”
Continuo crendo que não há melhor forma do evangelho ser compartilhado do que através do testemunho pessoal. Quando recordo o que disse aquele cego de nascença quando foi curado pelo Mestre, reforço esta convicção de que contra factos não há argumentos. “Antes eu era cego, agora vejo.” Todos quantos andaram no pecado e hoje estão andando com Jesus podem também dizer: “antes era pecador, hoje sou salvo.”
Vou fazer minhas, como convicção pessoal, as palavras de um certo crente em Cristo Jesus quando disse: “Senhor, assim como falas comigo através da tua criação, fala de Jesus aos outros através de mim.”
Podes fazer tuas essas mesmas palavras?
Se sim, és um testemunho vivo de Jesus Cristo.
Delfino Andrade Silves Ferreira

Escroquerie, Vigaristas and Swindler


Sou daqueles que ainda faz os seus trabalhos a lápis e meia folha de papel e só depois “passar a limpo”! Assim do tipo de borrão, muito usado antigamente!
Não é que eu seja avesso ás novas tecnologias de informação, mas, gosto de escrever, ler, estudar e só depois utilizar!
Não posso imaginar que mundo seria o nosso sem as possibilidades de comunicações que temos hoje, o encurtar de grandes distâncias e definitivamente nessa matéria transformar a terra numa “aldeia global”.
Desde anteontem fiquei preocupado com alguns maus utilizadores das facilidades da Internet, pois sem escrúpulos usam nomes e pessoas de bem para atitudes negativas.
Circulou uma mensagem supostamente remetida pelo meu irmão, Dr. Dany, esse mesmo que assina no nosso blog de família os artigos “Tempo de Loucura”, e comunga conosco na sua igreja do nazareno na Praia. Dizia, alguém pôs-lhe na cidade de Londres a visitar um centro especializado, sem documentos pois esses perdera ele num táxi e mais ainda sem nenhum dólar, euro ou libra! Perante tal situação, continuou escrevendo, não restara ao Sr. Dr., outra alternativa, senão mandar um SOS, solicitando $1900 dólares com urgência máxima para resolver problemas inadiáveis, a todos seus irmãos, amigos ou aqueles que constam do seu endereço electrónico!
A verdade é que meu irmão não viajou nesses dias para o estrangeiro, está no seu posto de trabalho todo tempo, participou dos cultos da sua igreja, cuidou da sua família e visitou os seus. Não foi a Europa e nem a Londres! Não perdeu os seus documentos e nem ficou desprovido de recursos. Está na Praia surpreso, mas, de bom humor, tentando entender o comportamento desses maus utilizadores das vantagens da net.
De várias latitudes telefonaram familiares e amigos preocupados com nosso irmão! Apreciamos o gesto e solidariedade manifestada. Bem hajam!
Desta vez felizmente, Daniel Ferreira não viajou e nem ficou sem suas pertenças. Fará deslocações no futuro, mas, oramos e desejamos nunca fique sem recursos. Contudo, esta brincadeira de mau gosto, mostrou-nos que ele e nós, podemos contar com os nossos em ocasiões reais e sobretudo difíceis.
Muito gratos pela atenção e generosidade!
A esses escroques, vigaristas and swindler, pedimos misericórdia do Senhor!
Como Paulo escreveu aos filipenses: …”tudo que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo o que é amável, tudo que é de boa fama, se há algum louvor, nisso pensai.”

- Pr. Adérito Andrade Silves Ferreira -

quinta-feira, 21 de maio de 2009

RECORDANDO

25 anos depois, a classe que entrou em 1984 no SNCV
teve um momento de recolhimento, gratidão e recordações
num dos restaurantes da Praia. Teresa, Ulisses, Ester, Adérito, Maria Antónia e Danilo

Para dias de crise…


Um dos meus colegas, um jovem e por sinal bom pregador do meu ponto de vista, contou há dias a interessante ilustração, mais para fábula, acerca do burrinho que Jesus usou para entrar em Jerusalém no Domingo de Ramos. O burrinho ficou impressionado com a recepção calorosa da população naquele Dia, que não resistiu a comentar: “dentro de dias virei de novo à cidade! Afinal gostara do gesto. Arquitectado, construído!
Entrou cidade dentro e nada aconteceu a não ser povo estranhando animal de carga naquele lugar... percebera que os gritos, palmeiras, animação da cidade, eram para outra Pessoa!
O Dúdú, nosso Emanuel Sá Nogueira me acompanhou há dias numa agradável viagem a Tarrafal de Santiago, apesar da missão que nos levava a Vila no extremo Norte da Ilha gigante.
Pela estrada conversamos sobre muita coisa, enquanto Ildo Lobo nos deliciava com o CD Incondicional, de nível superior.
De repente uma daquelas imagens típicas do interior captou nossa atenção e parámos! Um rapazinho dos seus 8 anos, um burrinho e umas quantas vasilhas cheias de água. Animado o rapazinho respondeu-nos a duas questões simples, permitiu uma foto, dei-lhe a bênção e jubiloso seguiu sua estrada no sopé da Serra Malagueta.
Meu co-piloto no seu jeito característico, discursou alguns bons minutos enaltecendo as qualidades do rapazinho, pelo menos espelhadas na acção observada.
Tomei palavra já perto do Hospital Regional de Santiago Norte para lembrar uma outra viagem e um outro comentário, a propósito da mesma fotografia.
Não pode ser, exclamara o amigo dessa viagem:”direitos da criança beliscados”, “trabalho infantil”! Continuou dizendo que era tempo de estudar, brincar, enfim fazer coisas da idade….
Esperou uma resposta minha que acto contínuo saiu: Não! Apoio à economia doméstica e disciplina infantil!!! Um ataque de riso se apoderou dele ao longo do resto da viagem, enquanto eu mais sério ia explicando que tivera na infância, entre outros cargos o de aprendiz de ajudante de sapateiro!
Na verdade o que me moveu nesta escrita não é defesa dos direitos das crianças, humanos ou dos animais. É simplesmente enfatizar o trabalho prestado por esses burrinhos nas nossas ilhas no apoio às famílias cabo-verdianas. Em dias de crise sobretudo, o saldo é bem positivo!
Se um dia alguém entender “homenagear” alguns animais da nossa terra, quais sejam o cão amigo, o gato caçador, o boi dos trapiches, creio que o BURRO por direito deverá estar na dianteira dessa lista. Em relação ao prémio não é o que mais interessa!
Já agora, porque será que o MESTRE deu indicações precisas acerca do animal que ELE próprio utilizaria para Sua entrada Triunfal em Jerusalém? (Mar.11:1-11)

- Pr. Adérito Andrade Silves Ferreira -

De Irmão para Irmãos


Quase todas as semanas eu envio a minha crónica “De irmão para irmãos” a um amigo que não frequenta a nenhuma igreja. Algumas semanas atrás, não me ocorreu mandar e ele“reclamou” dizendo-me com a amizade que nos une desde a nossa meninice: “ Já dei conta que desde que escreveste acerca de mim, não me tens mandado o artigo.” Quis desculpar-me fazendo-lhe entender que apenas aconteceu e que tenho estado um pouco ocupado, razão pela qual tem-me passado da mente. Como bom amigo, ele entendeu muito bem.
Percebi pela tonalidade da voz, apesar da conversa ter sido ao telefone, que alguma coisa o estava incomodando. Coloquei-me à disposição para algum préstimo caso fosse necessário e possível. Sem entrar em detalhes, se bem que entre nós existe uma abertura total, ele resumiu tudo em poucas palavras dizendo: “ Delfs, sinto-me abatido”.
Pedi permissão para contar-lhe a seguinte história:
O menino com menos de dez anos de idade, tinha ido à escola e regressou à casa na hora de costume. O pai, um alto funcionário, estava trabalhando na empresa. Em casa estavam, como sempre, a mãe e mais dois irmãos, uma menina e um menino, todos ainda na idade pré-escolar. A casa deles ficava situada numa zona suburbana, uma residência cômoda de gente de classe media-alta. Ao entrar, a mãe e os irmãos não estavam na sala; não os viu também na cozinha e percorreu todos os quartos de dormir e não os achou. Estavam na garagem, cada um pendurado a uma corda. Ao lado, a mãe havia deixado uma nota com apenas uma palavra: “Abatimento.”
Para o menino, o choque foi tremendo. Como deveria ter sentido quando viu a mãe e os irmãos naquela situação? Certamente este estado de alma vai perdurar por toda a vida. Qual teria sido a reacção do marido e pai ao tomar conhecimento da notícia?
Obviamente que as tragédias não nascem do nada. O que foi então que provocou tudo isto? A família vista a olhos nus, era feliz. O marido tinha um bom emprego. A jovem esposa era bonita. Os três meninos eram um encanto. A casa em que viviam tinha todas as comodidades. Aparentemente não tinham problemas.
Os vizinhos, familiares e parentes não conseguiam encontrar nenhuma explicação plausível. Não foi crime cometido por outrém, não foi loucura, e a única razão ficou toda expressa na única palavra que a mulher deixou escrita; “abatimento.”
Ela nunca havia dado sinal de angústia. Guardava tudo internamente e sofria dentro dela. Contudo chegou o dia em que ela não conseguiu mais suportar. Num instante, como uma casa que se desaba, ela toma uma decisão fatal.
É de se lamentar, mas ela não é a única, nem a primeira pessoa que sofre de abatimento.
O grande Salmista Davi, apenas nos Salmos 42 e 43, escreve três vezes estas palavras: “ Porque estás abatida oh minha alma?” mostrando que o abatimento ataca a qualquer pessoa não importa o “grau” de espiritualidade.
Das três vezes que Davi menciona aquelas palavras, o rei também não deixa de referir, por três vezes, estas outras: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei...”
Apesar de ninguém estar livre de momentos de abatimento, a fé no amor de Deus, e a esperança da Sua ajuda, nos livram de um estado de ânimo assim. A única coisa a fazer é dar permissão a Deus de entrar na nossa vida, pois quando Cristo mora em nós, há recursos contra o abatimento.
Meu amigo escutou atenta e pacientemente toda a narrativa e fiquei com a sensação de que de uma forma ou outra ele tirou algum proveito para o seu estado de alma.
É esta mesma história que quero compartilhar com todos os meus irmãos, no sentido de todos terem condições de combater este mal que vem assolando a maioria de nós.
Entregar tudo nas mãos d’Aquele que tem todo o poder.
Delfino Andrade Silves Ferreira

Tempo de Loucura


Esforcei-me para identificar aquela senhora já sexagenária que numa das minhas passagens pela ilha, a par de outras pessoas, tinha sido apresentada para controle.
Parca em palavras, tardava em falar de si e eu não dispunha de nenhum registo que pudesse ajudar-me.
A aparência, embora não me parecesse estranha não foi suficiente e a tonalidade da voz não me ajudou muito.
O enigma não estava ainda decifrado, mas fiquei mais tranquilo ao supor, racionalmente, que era o jeito próprio dela de lidar com as pessoas às quais aceitou confiar parte dolorosa da sua vida.
Tive que puxar a conversa, à procura de algo que pudesse ser alguma referência, já que ela, desde o início, tinha mostrado que me conhecia, chegando mesmo a citar o meu nome.
Sem ter dado pela minha astúcia ela disse: - Por causa de uns ferimentos fiquei com problemas na cabeça!
Enquanto ela falava com a mesma ternura, lembrei-me, subitamente, daquela mulher que tinha visto alguns anos antes, narrando as acusações veladas, a perseguição e o desespero que quase a levaram à morte, o internamento na Praia, o ser médico de então, por sinal natural da mesma ilha e a brejeirice deste.
Sem nunca pronunciar a palavra, fez-me entender que era tida por feiticeira e que o desespero tinha chegado ao limite suportável quando acusada pela morte de uma criança da vizinhança.
- Não tive outra saída senão pular de uma rocha e daí os ferimentos e os problemas na cabeça.
Após o regresso da Praia, sozinha, sentindo-se hostilizada e perseguida, desfez-se de tudo o que possuía no povoado e rumou para a vila de onde praticamente nunca mais saiu.
Sabia do resto, mas confesso que queria ver se ela podia pronunciar a palavra proscrita. Disfarcei alguma ironia e, falsamente, quis saber o que o médico lhe teria dito para merecer tal fama.
Tentando esforçar um sorriso afirmou:
- Ele era muito brincalhão. Disse-me que estava autorizada a fazer o mesmo serviço com todas as crianças da ilha.
Notava nela um certo embaraço. Sem se recompor, com uma das mãos espalmada no rosto e a cabeça curvada, sempre com a mesma cadência, balbuciou:
- De então para cá fiquei doente, sempre com esta tristeza, esta mágoa…!
Calou-se e continuou a olhar para o regaço, cheia de tristeza e mágoa, que a acompanham há muito tempo. Tempo de loucura!

- Daniel Silves Ferreira –
Psiquiatra

Impressões…de uma viagem não programada


Voltei a Boavista 9 anos depois para algumas horas, na companhia do Rev. David Araújo, e colega Dr. Danilo em serviço do nosso distrito de Cabo Verde.
Dias antes meu irmão Dany tinha estado na ilha para algumas palestras, e pelo telemóvel me confidenciara que “a nossa ilha” estava mudada! Fiquei ansioso quando o ATR da minha companhia de bandeira fazia aproximação para aterragem em Rabil!
Vislumbrei Povoação Velha a Sul. Estância de Baixo à minha mão direita, e Ribera d´Àgua um pouco mais acima na direcção Norte da Vila.
Estávamos em terra! Gostei do aeroporto internacional que me pareceu de uma arquitectura “não nossa”, mas, que como estão hoje dizendo nossos jovens: “ Ê panha”!!
Chega o Pr. Francisco e o compadre Carmino prontos a nos transportarem a Sal Rei onde o colega Mário e família nos aguardavam.
Saudações e abraços, perguntas e respostas, estávamos na Tcham de Salina dos anos 80.Ví o Stádium Arsénio Ramos e lembrei-me do saudoso Xeninho que veio a emprestar seu nome ao antigo campo Salazar, hoje urbanização de luxo a caminho da Praia de Cabral e Rotchinha!
Sal Rei está diferente, bonita, buliçosa e grande. Zona das barracas considero-a uma circunstância que urge corrigir, como creio que vai ser!
A igreja vai bem, melhor que nos nossos dias. O templo vai ficando pequeno. A família pastoral é querida e o povo reconhece o trabalho de seus servos.
O casal Rodrigues continua com a mesma postura, maturidade, amizade e engajados na Obra! Os filhos são cativantes.
Visitamos a ilha inteira com excepção de Bofareira! Em João Galego e Fundo das Figueiras, vi sinais de desenvolvimento. Cabeça dos Tarrafes vai um pouco atrás…
Estivemos com D. Cecília em “Stanxa”. Que grande bênção vê-la com os seus 94 anos de idade, fiel ao Senhor e com lembranças muito sólidas. Reconheceu o Pr. Araújo, perguntou pela D. Ester e gritou: é o pastor Aderto! Meus olhos ficaram molhados e gratas recordações povoaram minha mente. O coração aqueceu!
Visitamos hotéis de luxo, circulamos por estradas asfaltadas, vimos aviões de grande porte aterrando e descolando. Constatamos que ainda temos povo, almas que precisam de Jesus Cristo como seu Salvador pessoal!
Momento alto foi o culto onde o Superintendente seria o pregador e deveria fazer a comunicação oficial que a Junta da Igreja tinha votado no seu casal pastoral por mais quatro anos. O louvor, testemunhos e actuação de jovens numa coreografia bem ensaiada marcaram. Pediu meu colega que tomasse o púlpito e saudasse a igreja. Fiquei emocionado e consequentemente parco em palavras! Felizmente, Pr. Danilo pôde falar um pouco mais e deixar um bom desafio!
Voltei à Câmara Municipal, falei com meus amigos da Micá, encontrei jogadores da selecção vice-campeã da Taça Solidariedade, fui a Pá Barela, Bom Sossego, mas, Mangueira já não existe! Apresentei algumas condolências…
Já de regresso a Rabil para viagem de regresso à capital, ocorreu-me as deslocações por estradas repletas de areia ou terra batida na companhia da Ester e muitas vezes da Edlyze pequenina. Orei e agradeci a Deus a chamada, termos começado pela Ilha das Dunas e reconfirmar que nosso trabalho nunca é vão no Senhor! Contei tudo à Eliane que não conhece Boa Vista!
I will be back, Boa Vista, nosso primeiro amor ministerial! Obrigado a todos!
Vosso,
Adérito Andrade Silves Ferreira

sábado, 11 de abril de 2009

Feliz Aniversário


Da Certeza… Uma Esperança.


A tarde daquela primeira Sexta-Feira Santa, na última década dos 30 DC, fez descer sobre a colina do Gólgota um manto de fuligem expelida pelo coração da humanidade, que se tinha corrompido na poluição moral. E do choque entre a justiça da lei, que exige satisfação, e a violência do pecado, que folga com a transgressão, dir-se-ia que todas as secreções do inferno se derramaram com ímpeto deliberado sobre o Bendito Filho de Deus.
As três cruzes de lenho tosco no alto do cabeço fora de Jerusalém – a Cidade Santa – esboçavam em traços patéticos, símbolos da ignomínia, a ruptura do homem de Deus e a vida: façanha do Diabo, na sua manobra, que começou muito antes do Éden para, a seguir, transformar o mundo íntimo de cada pessoa num autêntico campo de batalha.
Em pleno dia, essa colina amaldiçoada envolveu-se na noite densa, quando Deus voltou as costas ao Seu Filho ali suspenso, para não presenciar a cena horrorosa, em que se via expirar o Cordeiro Imaculado. Jesus, então, experimentou o momento mais atroz da Sua Missão redentora: submergiu-se na sombra do desamparo, ao deixar de ver a face do Pai! Era o preço que se Lhe impunha, no Seu papel representativo, já que tinha de redimir a Humanidade, conforme a descrição do profeta Isaías, no capítulo 53 do seu livro.
Entretanto, a noite da Sexta-Feira de pesadelo viria a rasgar-se naquele Dia glorioso da Páscoa, a provar que “ o choro pode durar uma noite, mas, a alegria vem pela manhã” (Sal.30:5). E o sábado do silêncio que envolvia a transcendência da lei foi ultrapassado pelo Domingo de Aleluias, em que a Jerusalém da Judeia, e a Terra inteira, haviam de escutar em êxtase a sinfonia da Ressurreição!
Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé, das primeiras mulheres emancipadas pelo Nazareno, ante a visão do túmulo vazio e o esplendor angelical, tendo ouvido a espantosa e indubitável afirmação: “Não está aqui, porque já ressuscitou”, correram apressadas, levando a notícia aos discípulos. Quando Pedro e João visitaram o sepulcro, onde não jaziam “restos mortais” que, por certo, haviam de converter-se em relíquias idolatradas, - perante os “religiosos” sem Religião – de regresso encontraram Cleofas e o seu companheiro de Emaús, aos quais o “Estranho” tinha aparecido no caminho e, como Hóspede em casa deles, revelou-se-lhes “o mesmo Jesus”; agora “ vivo de entre os mortos”, a trilhar com eles o caminho de Emaús, o percurso da vida.

E foi assim que a mensagem do Ressurrecto se transformou numa certeza tão profunda que levou o Apóstolo Paulo a declarar: “ Se Cristo não ressuscitou, em vão é a nossa pregação e somos os mais miseráveis de todos os homens” (I Cor. 15).
Esta certeza bendita de Paulo faz da nossa pálida fé um facho luminoso de esperança, qual foco distante a indicar a saída do túnel. O mesmo capítulo exalta um Cristo feito “ as primícias dos que se levantam do seio da morte”. Se O abraçarmos, não um Cristo simplesmente histórico, mas como o Senhor da nossa vida, atravessando o túnel deste “ vale de lágrimas”, com a certeza de que Ele vive, irá alentando-nos uma doce esperança: a de em breve nos levantarmos também, envolvidos pelo esplendor de um novo Dia, quando, em regozijo de vitória formos acolhidos pelo Rei, ao transpormos os umbrais da Jerusalém de Deus!

- Rev. António Marcelino Barbosa Vasconcelos -

Uma Igreja: Muitas Congregações



Esta é uma abordagem alternativa para enfrentar o crescimento e as necessidades locais. Em vez de apenas um local centralizado, tamanho ilimitado e um crescente complexo de edifícios, se propaga por ramificações fora da igreja através de pequenas e médias congregações em vários locais que compartilham recursos e filosofias de ministério. Uma forte congregação central continuará a trazer liderança e recursos para toda a Igreja. Em vez de lançar apenas novas igrejas independentes, este modelo mantém uma relação estreita, de associação e de parcerias com novas congregações, multiplicando pastores titulares e multiplicando um estilo de liderança (CEO). Este modelo tem liderança compartilhada entre uma comunidade de pastores que são mentoreados e liderados por um pastor sénior.
Uma igreja multi-congregacional significa que nossas congregações locais terão: um conjunto de valores, filosofia e missão; uma liderança estruturada constituída por uma junta local e uma equipe de pastores liderados por um pastor sénior; um único rol de membros; muitos recursos comuns; pessoal, equipamento, financiamento, orçamento, escritórios; um mesmo estatuto jurídico. A nossa esperança, é manter uma ligação significativa para garantir que as relações sejam fortes e que a unidade da Igreja como um todo traga um nível de ajuda e de liderança que dê uma forte contribuição para a igreja e congregações locais.
Definições
“ Uma Igreja com Múltiplas Congregações” é uma igreja composta de várias congregações. O termo refere-se à igreja no todo, o corpo de todas as congregações e a junta local no âmbito da igreja. Terá um pastor e uma liderança local, bem como uma equipe que irá compartilhar com toda estrutura da igreja. Pode-se usar vídeo na hora da pregação onde o pastor sénior ministrará às congregações e o pastor local é quem vai organizar e liderar toda liturgia e desenvolvimento da congregação local bem como acolher e liderar o povo.
Várias Congregações
A Igreja Multi Congregacional já não é identificada como um local centralizado na rua tal, número tal, mas com todas as suas múltiplas congregações na região. Estas congregações irão desenvolver os seus próprios sentidos de identidade, de comunidade e de expressão; cada congregação teria um sub-orçamento fixado em conformidade com o planejamento da igreja.
- Pr. Geraldo Nunes Filho –
- Este material é resultado de pesquisa feita de alguns modelos de igreja dentro do conceito Multicongregacional -